A agenda de política industrial e desenvolvimento produtivo do Projeto Transforma, do Instituto de Economia da Unicamp, integrou o debate internacional “Economía para la Vida: hacia un Nuevo Orden Económico Internacional”, realizado em Bogotá entre os dias 2 e 4 de maio de 2026. Organizada pelo governo colombiano, por meio do Ministério da Educação Nacional, a iniciativa reuniu economistas, pesquisadores, autoridades públicas e lideranças internacionais para discutir alternativas ao atual modelo econômico global.
A participação do Transforma ocorreu por meio de seu diretor, Marco Antonio Rocha, professor do Instituto de Economia da Unicamp. O economista integrou a programação dedicada a indústria, trabalho e comércio internacional, ao lado de pesquisadores e formuladores de políticas públicas de diferentes países. O debate tratou dos desafios colocados à transformação produtiva no Sul Global, com atenção à política industrial, à autonomia tecnológica e à capacidade dos Estados nacionais de formular estratégias de desenvolvimento em meio à reorganização da economia mundial.
O encontro foi estruturado em cinco eixos: clima e recursos naturais; indústria, trabalho e comércio; dívida e finanças; tecnologia, inovação e educação; e governança global. A programação articulou temas que hoje atravessam a formulação de políticas econômicas, como transição energética, inteligência artificial, soberania econômica, financiamento do desenvolvimento e novas formas de cooperação internacional.
Durante três dias, Bogotá sediou uma discussão sobre os limites de um modelo econômico marcado pela concentração de riqueza, pela dependência produtiva e pela exclusão de parcelas significativas da população. O encerramento ocorreu em 4 de maio, no Ágora Bogotá Centro de Convenções, com o Festival de Economías para la Vida, aberto à cidadania e concebido como aproximação entre o debate acadêmico internacional e o público colombiano.
A participação brasileira ocorreu em um contexto no qual a política industrial voltou ao centro das estratégias nacionais. A transição energética, a disputa tecnológica e a reorganização das cadeias globais de produção recolocam para países periféricos a questão da autonomia produtiva e da capacidade de construir trajetórias próprias de desenvolvimento.
“A presença do Transforma nesse ambiente reforça a inserção internacional do projeto em debates sobre política industrial, desenvolvimento produtivo e novas estratégias econômicas para países periféricos. Esses temas dialogam diretamente com a agenda do Instituto de Economia da Unicamp, especialmente em áreas como economia industrial, mudança estrutural, financiamento, tecnologia e soberania produtiva”.
Marco Antonio Rocha, diretor do transforma.
A segunda jornada do evento concentrou as discussões sobre indústria, trabalho e comércio internacional, com ênfase em perspectivas heterodoxas e progressistas. Economistas do Sul Global defenderam a necessidade de políticas industriais independentes, capazes de evitar que a transição verde reproduza novas formas de dependência tecnológica e exportadora. O debate também destacou que políticas redistributivas, quando desvinculadas de mudanças na estrutura produtiva, podem ampliar o consumo sem fortalecer a produção interna.

Esse eixo dialoga com a agenda de pesquisa do Transforma, voltada à reindustrialização, ao papel do Estado, ao financiamento do desenvolvimento e à construção de capacidades produtivas em economias marcadas por desigualdades históricas. No encontro colombiano, essa discussão apareceu associada a temas como compras públicas, cooperação Sul-Sul, transição energética, soberania econômica e disputa pelas regras da economia internacional.
A programação reuniu nomes como Jayati Ghosh, Isabella Weber, Fadhel Kaboub, Kohei Saito, Andrés Arauz, Alberto Garzón, Pedro Rossi, Mónica Bruckmann, Martin Abeles, José Miguel Ahumada e René Ramírez, além de ministros e autoridades do governo colombiano. A proposta foi deslocar o debate econômico de uma abordagem restrita a crescimento e estabilidade para uma discussão sobre bem-estar, justiça social, emprego digno, sustentabilidade e capacidade de decisão dos países diante das transformações globais.
