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Grazielle David analisa concentração extrema de riqueza e riscos democráticos no podcast Café da Manhã

A pesquisadora Grazielle David, do Transforma e doutoranda do Instituto de Economia da Unicamp, participou do podcast Café da Manhã, parceria da Folha de S.Paulo com o Spotify, em episódio dedicado ao significado econômico e político da formação de fortunas trilionárias no mundo contemporâneo.

Na entrevista, Grazielle analisou a concentração extrema de riqueza a partir do caso de Elon Musk, apresentado no programa como o primeiro trilionário do mundo. Para dimensionar esse patrimônio, ela comparou o valor estimado, superior a R$ 5 trilhões, com o orçamento federal da saúde no Brasil, de cerca de R$ 272 bilhões. A diferença, afirmou, ajuda a mostrar a escala de uma riqueza individual capaz de se aproximar de indicadores nacionais.

A pesquisadora argumentou que a aceleração da desigualdade está ligada a transformações na forma de acumulação contemporânea. Segundo ela, a riqueza passou a crescer de modo cada vez mais associado à valorização de ativos, ganhos de capital, propriedade intelectual, plataformas tecnológicas e mecanismos financeiros, enquanto a remuneração do trabalho ficou distante desse ritmo.

Grazielle também destacou que grandes fortunas não são produzidas de maneira isolada. Empresas de tecnologia, inovação, infraestrutura digital e inteligência artificial dependem de trabalhadores, pesquisa científica, investimento público e políticas estatais. No entanto, os ganhos gerados por esse processo tendem a ser apropriados de forma privada, sem retorno proporcional à sociedade que financiou parte dessas condições.

Para Grazielle, bilionários e trilionários passam a exercer influência sobre mercados, redes sociais, campanhas políticas, regulação, infraestrutura digital e até funções antes desempenhadas pelo Estado. Esse deslocamento, avaliou, reduz a capacidade democrática de controle público e favorece a formação de uma oligarquia global.

Como resposta, a pesquisadora defendeu políticas concorrenciais mais robustas, revisão de regras de propriedade intelectual, governança corporativa com participação de trabalhadores, tributação progressiva sobre renda do capital, heranças e grandes fortunas, além do fortalecimento de serviços públicos. Para ela, regular a concentração extrema de riqueza é uma condição para enfrentar desigualdades e preservar a capacidade dos Estados de formular políticas públicas.

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