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Iago Montalvão analisa juros, inflação e regulação financeira no Conexão BdF

O coordenador executivo do Transforma e doutorando em Economia no Instituto de Economia da Unicamp, Iago Montalvão, participou do programa Conexão BdF, do Brasil de Fato, para analisar a redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, os efeitos da inflação de combustíveis e os limites da regulação financeira no Brasil.

Na entrevista, Montalvão afirmou que qualquer queda da Selic produz algum efeito positivo sobre a economia, porque abre espaço para investimento, atividade produtiva e crescimento. No entanto, avaliou que a redução foi pequena diante do patamar dos juros reais no país. Segundo ele, o Brasil segue entre as economias com maiores taxas de juros reais do mundo, o que limita a expansão produtiva e favorece o rentismo financeiro.

O pesquisador também criticou o desenho da autonomia do Banco Central. Para Montalvão, a separação entre a política monetária conduzida pelo Banco Central e as diretrizes econômicas definidas por um governo eleito cria uma desconexão entre instrumentos que deveriam atuar de forma coordenada. Ele argumentou que essa autonomia não elimina influências sobre a autoridade monetária, mas tende a aproximá-la dos interesses do setor financeiro, especialmente pela presença de mecanismos de pressão privada e pela chamada “porta giratória” entre bancos e cargos de direção no Banco Central.

Ao comentar a inflação, Montalvão diferenciou choques de oferta de pressões de demanda. Segundo ele, o aumento internacional do petróleo, associado à guerra e às tensões no Oriente Médio, produziu efeitos sobre combustíveis, mas o Brasil teve uma situação relativamente mais confortável do que outras economias. Para o pesquisador, isso ocorreu pela presença da Petrobras, pela política de preços dos combustíveis e por medidas de subvenção e isenção fiscal, que ajudaram a conter repasses maiores ao consumidor.

Montalvão também avaliou os dados do PIB e defendeu uma leitura setorial do crescimento. Para ele, a expansão puxada pelo agronegócio e por serviços de menor qualificação não tem o mesmo impacto de um crescimento baseado na indústria, na formação de capital fixo e em empregos de maior renda. Nesse sentido, juros elevados dificultam um crescimento mais robusto e qualitativo da economia brasileira.

No fim da entrevista, o pesquisador comentou denúncias envolvendo cobranças indevidas no sistema bancário e defendeu maior regulação do setor financeiro. Ele apontou a concentração bancária, a abertura da conta de capitais e os altos spreads como fatores que ampliam o poder dos bancos e pressionam famílias endividadas. Para Montalvão, o Banco Central precisa ser fortalecido em sua capacidade técnica de regulação e supervisão, mas não por meio de uma autonomia que o deixe ainda mais exposto aos interesses do próprio sistema financeiro.

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