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Desdolarização e diversificação das reservas internacionais

O Projeto Transforma, em parceria com o Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica (Cecon) do Instituto de Economia da Unicamp, dá continuidade à série de Notas de Conjuntura Econômica com a publicação “Desdolarização e diversificação das reservas internacionais: mudanças e tendências para o Brasil”, assinada por Júlia Leal e Lucas Marçal. A nota examina as transformações recentes no Sistema Monetário e Financeiro Internacional, com foco na composição das reservas internacionais e no debate sobre a perda relativa de centralidade do dólar .

O texto parte do reconhecimento de que o dólar segue como principal moeda de reserva global, mas aponta uma redução gradual de sua participação ao longo dos últimos anos. Esse movimento ocorre em um contexto marcado por tensões geopolíticas, uso estratégico da moeda por parte dos Estados Unidos e maior protagonismo de economias emergentes, especialmente a China. A análise indica que a diversificação das reservas responde tanto a decisões deliberadas dos países quanto a efeitos de mercado, como variações cambiais e valorização de ativos.

Com base em dados do Fundo Monetário Internacional, a nota mostra que a participação do dólar nas reservas globais recuou ao longo da última década, ao passo que outras moedas — como o euro e o iene — ampliaram sua presença. Também se observa crescimento da categoria de “outras moedas”, além de avanços, ainda limitados, do renminbi. No caso do ouro, a elevação de sua participação está associada sobretudo à valorização de preços, e não necessariamente a um aumento proporcional do volume físico acumulado.

A publicação destaca que a acumulação de reservas internacionais permanece como instrumento central de política econômica, sobretudo em economias emergentes. Esses ativos funcionam como mecanismo de proteção frente a choques externos, crises cambiais e movimentos abruptos de saída de capitais, além de sinalizarem a capacidade de intervenção dos bancos centrais nos mercados financeiros.

No Brasil, a nota identifica uma reconfiguração mais acentuada da composição das reservas. Dados do Banco Central indicam redução da participação do dólar e aumento das posições em ouro e renminbi, além da incorporação recente de novas moedas. Ainda assim, o dólar permanece predominante no portfólio brasileiro, em nível superior à média global.

A análise conclui que há uma tendência internacional de diversificação das reservas, acompanhada por um processo de desdolarização ainda gradual. No caso brasileiro, esse movimento se mostra mais intenso, mas permanece condicionado tanto por fatores estruturais do sistema financeiro internacional quanto por dinâmicas de mercado. A íntegra da nota está disponível para download no botão abaixo.

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